Sónia Teles

Viver sem excessos

 

O natal é a época do ano onde se cometem mais excessos alimentares. Não sei de quem é a frase “somos aquilo que comemos” mas, seja de quem for, tem muita razão. A nossa alimentação influencia diretamente a nossa saúde. O consumo descontrolado de hidratos de carbono e gorduras é um fator de risco para doenças como a obesidade, a hipertensão, a diabetes ou o colesterol elevado. É claro que não é o único fator de risco mas ajuda muito. Obviamente que não é por ter abusado deste tipo de alimentos no Natal que vai sofrer destas patologias. O problema é quando os excessos se estendem para o resto do ano. E, depois, as doenças que referi anteriormente são silenciosas. Por isso é importante que cada pessoa conheça os seus valores de pressão arterial, glicémia, colesterol ou triglicéridos. Quando não se consegue recorrer ao médico para realizar exames laboratoriais, as farmácias são uma boa alternativa para ter uma ideia dos seus valores habituais e para detetar se algum parâmetro está alterado. Também se pode contar com a ajuda dos farmacêuticos no sentido de elucidar sobre estilos de vida mais saudáveis ou, em caso de necessidade, no aconselhamento de suplementos que possam ajudar a controlar os valores de parâmetros. São exemplos deste tipo de suplementos a oliveira para a pressão arterial; o ómega 3 e o arroz vermelho fermentado para o colesterol; ou o crómio para controlar a glicémia. Estes suplementos não substituem os fármacos quando estes são necessários mas podem ser uma boa ajuda. Fica aqui o conselho para um 2018 sem excessos!

 

 

Respira fundo e conta até dez

Os ritmos de vida são cada vez mais stressantes e isso tem implicações nas nossas vidas e de quem nos rodeia. É um efeito dominó que é preciso parar.

O mês de novembro iniciou-se com o Dia da Consciencialização Para o stress . Esta palavra, stress , faz parte da nossa linguagem diária mas será que sabemos mesmo o que quer dizer?! Esta patologia é uma resposta do organismo a determinados estímulos físicos e emocionais como um acontecimento significativo e que nos afeta emocionalmente. Por exemplo, o divórcio, o desemprego ou o falecimento de um ente querido. Aliás, quase todas as exigências da sociedade atual potenciam as situações de stress . Poroutro lado, o stress , até certo ponto, pode ser positivo ao impelir à resolução dos problemas que surgem. Aquilo que os atletas sentem antes da competição também é uma forma de stress mas que os leva a ultrapassar os obstáculos. Em situações de stress , o corpo reage produzindo certas hormonas, alterando a pressão arterial e o ritmo cardíaco. Como tal, se os níveis de stress não forem controlados, podem dar origem a problemas de saúde físicos. Para evitar que o stress tenha estas consequências físicas há que encontrar estratégias para o controlar. Deve-se tentar levar
uma vida o mais tranquila possível identificando os fatores desencadeantes de situações de stress na sua vida de modo a evitá-las. O exercício físico, a alimentação, os passatempos, o estreitamento de laços sociais, inclusive através da partilha das nossas preocupações com os outros, parecem ter um efeito positivo. Também é muito importante saber gerir o nosso tempo equilibrando o tempo dedicado ao trabalho, à família, ao lazer e ao descanso. Quando estas estratégias falham, há que procurar ajuda profissional. A nível farmacêutico, podemos recorrer a algumas substâncias que podem ajudar em situações iniciais. Suplementos com panax ginseng, rodiola rosea, 5-hidroxitriptofano (5HTP), passiflora incarnata, crataegus ou valeriana officinalis podem ser uma primeira resposta em situações de stress . O farmacêutico também pode ajudar a identificar se a situação é ligeira ou se, pelo contrário, a situação já é grave o suficiente para procurar ajuda médica. De qualquer das formas aconselhe-se sempre e procure ajuda. Os profissionais existem para isso mesmo.

Cuidado com as picadas

Os dias quentes, embora agradáveis, trazem alguns incómodos. Na nossa região enfrentamos, todos os anos, problemas com os insetos. A proximidade do rio, dos jardins ou dos campos de cultivo de arroz são fatores desencadeantes para o aparecimento dos mosquitos já que estes insetos necessitam de meio aquático para o seu desenvolvimento.
Embora, em Portugal, não haja conhecimento de transmissão de doenças graves através da picada do mosquito, esta situação é muito desconfortável. A picada de mosquito provoca muito prurido e, principalmente nas crianças, pode provocar reações muito inflamadas. O tratamento da picada passa pela utilização de anti-histamínico e antipruriginoso tópico, podendo também ser necessário a toma de anti-histamínico oral. Em casos mais graves, pode ser necessário recorrer ao médico para a toma de corticosteroides ou mesmo antibióticos.
Para evitar estas ocorrências temos ao nosso dispor algumas soluções preventivas. As substâncias mais eficazes que podem ser usadas como repelentes são o IR3535, um ingrediente ativo derivado de substâncias naturais, e a N,N-dietil-m-toluamida (DEET). A duração da proteção conferida é diretamente proporcional à concentração de repelente que o produto possuí. Os repelentes podem ser encontrados em forma de spray, loção, roll-on, pulseiras ou clips.
O problema é que estas substâncias não são seguras para utilização em bebés e crianças. Assim, nesses casos, há que optar por outras substâncias mais seguras, embora menos eficazes, como o citrodiol, a icaridina ou óleos essenciais de plantas como a ci-tronela ou o alecrim. Os repelentes para crianças existem nas mesmas apresentações que os repelentes para adultos. No entanto, nenhuma destas substâncias é segura para bebés até aos seis meses de idade de-vido à fragilidade da sua pele. Nestes casos pode-se adquirir redes mosquiteiras, que são muito eficazes, ou acessórios como pastilhas repelentes que se podem colocar no berço ou no carrinho. Deste modo previne-se as picadas com toda a segurança. Tenha um verão seguro!

 

*Sónia Teles é farmacêutica na Farmácia Moderna e escreve na revista gira

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