Paula Martins

Criatividade à mesa

Assinala-se esta sexta-feira, 17 de novembro, o dia mundial da criatividade. A nossa nutricoach aproveita o tema para o aplicar à alimentação. Sim, é possível.

Já lá vai o tempo em que ter que fazer uma alimentação saudável significava fazer dieta, o que obrigava a fazer restrição de comida, o que acarretava toda uma série de sofrimentos associados. Já lá vai o tempo em que fazer dieta conduzia a ter que comer exclusivamente bifes de perú grelhados e pescada cozida. Já lá vai o tempo em que se associava o comer bifes grelhados e peixe cozido a um prato sem cor e sem sabor! Nesse tempo, a dieta e a alimentação saudável duravam apenas umas semanas, ou, quanto muito, até uns meses. Quem aguentava mais que isso?! Hoje em dia, a nutrição é muito mais que isso! É importante incutir na população a necessidade de mudar hábitos, tornar as refeições mais saudáveis e equilibradas, conseguindo ainda deixá-las mais apelativas. O aspeto, a combinação de sabores, a diversidade de texturas num só prato, enriquecem uma refeição de forma a cativar o gosto de quem recorre a alimentos menos saudáveis por achar uma alimentação saudável aborrecida. E se comer bem também significar fazer um almoço ou um jantar de petiscos (quem não gosta?) em vez do tradicional prato rigorosamente equilibrado e disciplinado. Experimente estas sugestões. Por exemplo: prepare um creme fluído de legumes que servirá em canecas ou chávenas; prepare
uma massa simples de pão (ou pizza, com farinha integral) e faça uns rolinhos que leva ao forno temperados com sal fino e orégãos; prepare um húmus (espécie de paté) com grão debico e delicie-se com este dip . Pode também cortar legumes em palitos (cenoura, pepino, pimento) ou cozer (mantendo-os firmes) vegetais (brócolos, couve de flor) e comer com o húmus. Pode, ainda, preparar um mil folhas (a fingir). A receita é simples: fatie uma beringela no sentido longitudinal e regue com sumo de limão. Tempere com um fio de azeite, sal e pimenta. Grelhe e reserve. Depois, prepare um recheio com batata doce assada aos quadrados no forno que posteriormente esmaga. Salteie espinafres em azeite e alho. Muito bom também fazer um molho com iogurte grego e queijo creme, temperado com sal e pimenta. Depois alterne camadas de beringela e recheio, reservando o molho para cima, decorando ainda com uma redução de vinagre balsâmico para dar o efeito dotradicional mil folhas. Refeições como estas, quebram qualquer rotina que esteja instalada à sua mesa e promovem a criatividade, estimulando a preferência pelo que faz bem. Mais dicas em www.nutrisaber.com.
Paula Martins, nutricionista

Alergia é diferente de intolerância alimentar

Alergias ou intolerâncias alimentares. Muitas vezes confundimos estes dois tipos de reações adversas que o orga-nismo apresenta quando em contacto com determinado alimento. No entanto, são dois termos muito diferentes.
Por alergia alimentar entende-se uma reação do foro imunológico, que pode surgir após o consumo, contacto ou até proximidade de um ou mais alimentos. Já quando falamos da intolerância alimentar, referimo-nos a uma resposta adversa do organismo pelo consumo de determinado alimento, normalmente com alterações ao nível gastro intestinal ou outros.
Como é possível perceber, a gravidade de uma ou de outra situação são diferentes, uma vez que, no caso de alergia, uma pequena quantidade de alimento pode provocar uma crise de urticária, inchaço, prurido cutâneo entre outros sintomas, dos quais o mais grave será uma dificuldade respiratória resultado do edema da glote, que pode ser fatal em pouco tempo. No caso das intolerâncias, o aparecimento dos sintomas está associado à dose ingerida, ou seja, o indivíduo pode tolerar o alimento até determinada quantidade. Estes sintomas, vulgarmente associados a episódios de cólicas, flatulência e inchaço abdominal, mas também dores de cabeça e mau estar geral, ocorrem de forma gradual, podendo surgir até vários dias após o consumo do alimento em questão.
Os alimentos mais alergénios são o leite de vaca (proteína do leite de vaca), o glúten, o ovo, os crustáceos, o peixe e a soja. Sendo que há conhecimento de alergias aos mais diversos alimentos.
No entanto, em ambas as sutuações está associado um alimento a uma reação adversa específica. Daí, os portadores deste tipo de sintematologia devem evitar total ou parcialmente (dependendo se é intolerância ou alergia e o seu grau) o alimento em causa. A restante população não terá nenhum benefício em praticar este tipo de exclusão alimentar. Atualmente, é comum depararmo-nos com grupos de pessoas que retiram da sua alimentação o gluten, a lactose e outros, sem patologia associada. O risco pode estar no facto destes alimentos terem na sua composição outros nutrientes importantes que estes indivíduos deixam de consumir, criando carências que podem ter consequências graves.
Portanto, é essencial que o tipo de alimentação de cada um seja perfeitamente adaptado à sua saúde.

 

*nutricionista

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