David Fernandes Silva

 

Santos e gente boa

Chegando o Verão, não há terra que não tenha a sua festa, romaria e “santo” a venerar. Por aqui, o padroeiro de Vila Franca é São Vicente (em 22 de Janeiro), que já passou, e romarias também já as tivemos (Senhor da Boa Morte e Senhora de Alcamé – em Maio e Junho). Talvez pudéssemos aludir a Nossa Senhora de Povos (cuja festa, por ser a da Assunção, deveria ser a 15 de Agosto), mas desconheço se haveria força em retomar a Festa.
Dos Homens bons com fama de “santidade”, talvez pudesse referir-me ao Dr. Sousa Martins, cujo culto popular fala da bondade de homem que foi, para muitos, “médico dos pobres” da vila de Alhandra, mas a sua bio-grafia é extremamente complexa e o seu “agnosticismo” torna-o complicado de ser aceite nos cultos instituídos. Falando “gente boa”, não fôra o Dr. Luís César Pereira da Igreja Lusitana (comunhão anglicana), que não tem propriamente processos de canonização, e a cidade veria este seu filho, como “médico dos pobres” de Vila Franca, ‘subir’ aos altares. Falamos, neste caso, de “gente boa”, que fizeram do seu saber a busca da salvação do outro e cuja ‘santidade’ é reconhecida popularmente, sem auréola.
Já dos santos “registados” temos o dominicano São Bartolomeu dos Mártires, arcebispo de Braga, nascido na Verdelha do Ruivo (Vialonga) e que, como teólogo e pregador, foi grande figura do Concílio de Trento, um grande “transformador de corações”.
No entanto, e para aqueles que gostam de coisas curiosas, deixo-vos três pessoas, cujas virtudes seriam interessantes de comprovar e que “morreram em fama de santidade”, três filhos de Vila Franca dos quais se poderia abrir “causa de ca-nonização”: frei Francisco da Fonseca (1617-1641), na foto ao lado, eremita agostinho, considerado um dos maiores teólogos do seu tempo; frei Salvador de Vila Franca (1573-1626), arrábido leigo, conhecido pela sua oração fervorosa, e frei Sebastião do Rosário (1573-1642), que foi missionário no Maranhão (1613-17), sobretudo conhecido pelo seu cuidado com os mais pobres, nos anos em que esteve no Mosteiro da Ínsua, ao ponto de, compadecido da fome de muitos, quando já não tinha pão nem esmola que lhes dar, ter empenhado a Custódia, para lhes matar a fome.
Continuamos a ter pobres, doentes, órfãos da sociedade e abandonados de Vida e Amor. E precisamos de Gente Boa, não tanto para fazer “romarias de verão”, mas para nos servirem de exemplo… e sermos, na História, conti-nuadores do Bem. Não são isso os Santos?

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