Não à publicidade a medicamentos

A publicidade a medicamentos é cada vez mais frequente. Pelo menos é aquilo que eu sinto, até porque cada vez os há mais sem receita médica. Ela está prevista na legislação. O Estatuto do Medicamento prevê que a publicidade faça referência ao nome, às indicações e precauções, bem como à necessidade de ler o folheto informativo e à necessidade de consultar o médico ou o farmacêutico no caso dos sintomas persistirem. Como farmacêutica, tenho uma opinião radical: não devia haver publicidade a medicamentos. A toma de fármacos, mesmo daqueles que são considerados de venda livre, devia ser, sempre, mediada pelo aconselhamento de um profissional de saúde. A situação ainda é mais grave no que diz respeito aos suplementos alimentares. Eles podem parecer medicamentos mas não o são e não podem alegar efeitos terapêuticos. Cada país pode escolher qual o enquadramento legal de cada produto, ou seja, se é medicamento ou suplemento alimentar. As normas que uma empresa tem que cumprir para a aprovação de um suplemento alimentar são muito menos exigentes do que as relativas aos medicamentos, até porque a aprovação de uns e de outros é feita por entidades diferentes. Ora, mesmo não sendo um medicamento, não quer dizer que um suplemento seja inócuo. Para além dos possíveis benefícios para a saúde, também pode provocar efeitos adversos. Por isso também deve contar com a ajuda do seu farmacêutico na hora de optar pelo mais adequado. Estes profissionais de saúde conhecem-lhe as características e podem alertá-lo para eventuais problemas. No caso dos suplementos alimentares, nem sempre o que é adequado à figura pública contratada para o spot publicitário é adequado para a sua situação clínica. Por isso, conte com os profissionais de saúde para o aconselhar melhor.

Sónia Teles* saúde *farmacêutica na Farmácia Moderna

Please follow and like us:

Faça o primeiro comentário a "Não à publicidade a medicamentos"

Comentar

Gostaste do que leste? Assina, faz gosto e partilha