A floresta não pode ser dizimada

Por Maria da Luz Rosinha | deputada do PS | Caras e caros amigos, estamo-nos a aproximar do fim do ano e como sempre acontece nestes momentos, entendemos ser hora de fazer balanço do que deixou marcas negativas ou positivas ao longo dos doze meses que decorreram sobre o desígnio de 2017. Considero que houve um acontecimento que marca incontornavelmente a vida de todos os portugueses, embora nem todos da mesma maneira. Foi o caso dos incêndios que flagelaram o nosso país, particularmente em dois momentos, sendo que o último foi no ainda recente mês de outubro. Este foi um ano de circunstâncias climatéricas anormais, que também nos devem fazer refletir sobre os nossos comportamentos ambientais, e que trouxe consigo a destruição de muitas vidas e bens, pelo fogo. O terror que as populações viveram, a impotência para fazer face a um inimigo, muitas vezes chegado, pela força da insanidade mental de alguns, colocou-nos a todos os que unicamente fomos espetadores de uma tragédia, que ficará na memória de muitos até ao fim da sua vida, perante perguntas para as quais urge encontrar resposta. O tempo não pára e dentro de escassos sete meses, estaremos de novo no verão e não é possível que tal aconteça de novo. Qual a resposta de cada um de nós em todo este processo do agravamento das condições climáticas? Como vamos tentar melhorar a qualidade ambiental? Até que ponto nos sentimos individualmente responsáveis? Por mais encontros a nível mundial que se façam, a verdade é que continuamos a dar conta de verdadeiros atropelos, até por parte de grandes potências, com a sua arrogância e indiferença, ignorando a importância do ambiente. Enquanto isso, o ar que respiramos agrava-se e discutem-se as atitudes que temos ou não, para preservação do ecossistema. Tudo isto aumenta, a médio prazo, a urgência de salvaguardar a espécie humana e a sua sobrevivência. Somos obrigados por isso a ter uma nova atitude, de maior responsabilidade, porque também é da nossa vida e do nosso país que falamos. Tomam-se decisões a nível do governo, legisla-se, os comentadores não se cansam de produzir opinião, mas a conclusão é sempre a mesma: o que aconteceu este verão em Portugal não se pode repetir. As pessoas não podem morrer e as casas, a floresta e a agricultura não podem ser de novo dizimadas. Por isso para 2018, um grande propósito deve ser que nada disto tenha sido em vão, que a floresta volte a crescer, que o verde volte aos campos hoje negros, que as casas se reconstruam, que as pessoas se acalmem no seu sofrimento, já que não é possível devolver a vida aos que a perderam. Que nos sirva de lição a todos, para que possamos ter um mundo melhor para viver e que os senhores que gerem este mundo, tomem consciência de que é preciso agir. Mas não posso terminar assim, porque também houve muita coisa boa. O emprego aumentou, a dívida soberana e o défice diminuíram, os rendimentos estão a ser recuperados e tudo isso ajuda a melhorar a vida das pessoas. Este 2018 deve ser um ano de grande aposta para mais Portugal, melhor Portugal. Os portugueses assim o exigem. Um abraço para todas e todos.

 

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