O terrorismo explicado aos miúdos

O terrorismo não tem cara, não avisa quando chega e é egoísta. Estar numa esplanada, num concerto do nosso grupo favorito, viajar de avião ou de comboio ou estar num parque de diversões pode ser um golpe de sorte. Quando há um ato de terrorismo e escapamos ao sorteio da mais pura maldade humana, podemo-nos sentir bafejados por uma imensa sorte. Como explicar a uma criança que aquilo que devia ser um dia de divertimento pode causar danos irreversíveis? Como explicar às crianças que sem sabermos como nem porquê, o senhor que se sentou ao nosso lado noutro dia no café, bastante simpático, nos quer matar, a nós e a uns quantos mais que estiverem por perto, quando a sua ira e o seu desejo de vingança em nome de um Deus nos faz explodir? Um Deus, diga-se, que se presume bom e não mau. Como pode uma religião que deveria ser o conforto do espírito e o alimento da alma ser usada para destruir outras almas muitas delas inocentes? Perguntas que nem nós adultos podemos responder, a não ser condenar estes atos de fanatismo, doença ou seja lá o que for. Como em tudo o que há de menos bom na vida, o importante é explicar às crianças de uma forma muito simples ou romanceada que os maus fazem maldades, que são naturalmente más e que nós adultos estamos cá para impedir que aconteçam. O importante é que as crianças sintam em segurança e tranquilidade. Como todas as histórias de maus e bons, onde os bons vencem. Com o crescimento das crianças, esta lógica de bons e maus vaise perdendo e é necessário fazer entender aquilo que acontece o mais perto da realidade possível. Devemos dar espaço para conversar sobre o assunto e, acima de tudo, deixar que as crianças e jovens possam partilhar as suas ideias sobre o tema. Não adianta negar a existência do terrorismo. E o medo não será certamente a melhor forma de o combater.

Guida Alves
psicóloga clínica

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