Lutar contra o bullying com toda a garra

Neste dia Internacional dos Estudantes, um tema preocupante entre a classe estudantil: o bullying. A nossa psicóloga clínica escreve-nos sobre esta matéria na sua crónica.

Guida Alves | psicóloga

A utilização do termo bullying é recente, mas a prática é muito antiga! Sempre se soube que as crianças tanto têm de anjinhos como de diabinhos. Os miúdos conseguem ser cruéis entre si e por vezes muito “mauzinhos”. Entre os mais pequenos, a raça, a condição económica, social, o aspeto físico ou coisas simples como a marca da roupa, o trabalho dos pais, a ideologia política ou crença religiosa podem afetar as relações entre as crianças e originar agressões físicas e psicológicas naqueles que, por qualquer razão ou sem razão, são os alvos. Prevenir nem sempre é fácil, mas ainda mais difícil é detetar as vítimas de bullying . Geralmente as crianças pequenas quando estão em sofrimento tendem a manifestar a sua tristeza, raiva ou frustração de uma forma que nem sempre é entendida à primeira. Recordo na minha prática clínica do caso do Eduardo (nome fictício) com sete anos de idade, uma criança filho de pais divorciados, sem nunca ter acusado complicações emocionais devido à separação dos pais. Era uma criança, que, no contacto inicial, denotava alguma timidez, mas após algum contacto transmitia ser muito vivaça e feliz. Sem queixas de comportamento, nem em casa, nem na escola. Subitamente, a mãe do Eduardo é confrontada com comportamentos mais agressivos do Eduardo que se revelavam mais em casa (ambiente que se sentia suficientemente seguro para poder extravasar a sua ira). Mais tarde, na escola aconteceu um episódio que em nada condizia com o perfil do Eduardo, colocou lápis de cores, partidos por si, na sanita da escola. Aparentemente, nada parecia justificar o seu comportamento! No entanto, veio-se a apurar que havia uns colegas que o atacavam, batiam e gozavam com o Eduardo! Silenciosamente esta criança sofria as agressões, como na maioria dos casos, o que implica um olhar redobrado por parte dos pais, principalmente em crianças mais sossegadas e tímidas. O bullying pode deixar marcas para a vida, quando o mesmo não é detetado e resolvido atempadamente! Afinal, a nossa liberdade acaba onde começa a dos outros!

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