Ortopedia funcional dos maxilares

Hoje em dia, ainda existe o paradigma de que o médico dentista só trata dos dentes, o que é errado de todo. Tenho me deparado, cada vez mais, com crianças com atrasos no desenvolvimento esquelético dos maxilares, o que implica na grande parte dos casos grandes problemas na falta de espaço na fase do nascimento dos dentes definitivos, e não só, mas é isso que mais facilmente chama a atenção dos pais. Mas é um problema com solução! A função de um ortopedista é intervir numa parte do corpo, que pode ser um osso ou uma articulação e devolver-lhe a função. É disso que a ortopedia dos maxilares se trata. Intervém, idealmente, durante o crescimento da criança, fazendo com que tudo o resto, respiração, mastigação, fala, língua e músculos da face, postura da cabeça e coluna, e por último os dentes, adotem uma posição e função corretas.
Se imaginarmos uma pedra debaixo do nosso sapato durante anos é fácil perceber que durante os primeiros tempos vai provocar dor e desconforto, mas depois o pé é obrigado a adaptar-se à pedra e vai deformar-se para tentar cumprir a sua função: andar. Na boca processa-se do mesmo modo. Por isso é incorreto, esperar que as crianças cresçam, troquem todos os dentes de leite e depois então colocar um aparelho. Durante anos de espera a criança já pode ter criado uma deformação óssea, uma assimetria no crescimento da face. Hábito como chuchar no dedo ou na chupeta até tarde, ter uma alimentação à base de alimentos processados, moles, que não estimulem o crescimento dos maxilares, respirar pela boca (a respiração pelo nariz é fundamental para o crescimento dos maxilares) e até fatores genéticos podem desenvolver algum tipo de crescimento facial incorreto.
Na ortopedia as ferramentas são muitas e o lema é de que há sempre algo que pode ser feito. Se uma criança tem algum bloqueio num dente que por si só é capaz de provocar grandes alterações no crescimento, então há que realizar pequenos desgastes no dente ou acrescentar com restaurações de modo a colocar no sítio correto aquele dente. Se for necessário intervir de forma mais generalizada na cavidade oral então irá planear-se um aparelho ortopédico funcional. São aparelhos removíveis, úteis quando se quer comer ou fazer desporto. São altamente confortáveis e não provocam qualquer tipo de dor. O conceito é usar as forças de crescimento e o aparelho não faz força, não empurra dentes, estimula apenas esse crescimento.
Hoje em dia, as crianças adoram usar aparelho e por isso a aceitação e colaboração por parte destas é bastante boa, aliado a estratégias como poderem personalizar o seu aparelho com as misturas de cores que mais gostem.
Outra pergunta frequente é se os adultos também podem ser tratados ortopedicamente. O índicie de formação óssea é menor mas existe sempre essa possibilidade. Uma fratura óssea é sempre tratada, embora nas crianças mais rapidamente. As aplicações mais frequentes destes aparelhos em adultos acontecem em casos de patologia e/ou dor na articulação dos maxilares, casos de bruxismo (ranger dos dentes) e apneia do sono leve. Eles permitem colocar os dois maxilares numa posição mais correta, descomprimindo a articulação. Quem sofre de patologias articulares sabe que a dor é altamente incapacitante e quando colocam os aparelhos o difícil é tirar, pelo conforto experienciado. Entender um diagnóstico médico é essencial para sermos mais conscientes de nós próprios, podendo decidir de forma informada na saúde e no bem-estar de cada um.

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