O rescaldo da noite eleitoral

Há dois dados a reter no rescaldo desta noite eleitoral de 1 de outubro. Primeiro, que mais pessoas saíram de casa para votar, o que significa que os eleitores, por algum motivo, decidiram exercer um direito que estava, cada vez mais, a ser esquecido. Talvez as campanhas da Comissão Nacional de Eleições estejam a surtir efeito. Por outro, é que os cidadãos estão contentes com o trabalho dos seus autarcas. Nos concelhos de abrangência da revista gira, todos os executivos foram reconduzidos e, em quase todos os casos, até viram o seu poder reforçado. Alberto Mesquita foi reeleito e conquistou mais três mil votos. Passou de 37% para 39% e mantém os cinco vereadores. Em Alenquer, Pedro Folgado foi igualmente reeleito e, apesar de o PS manter o mesmo número de eleitos, o edil reforça a maioria absoluta de 41% para 53% dos votos. O caso de Azambuja é também interessante. Os socialistas mantêm praticamente o mesmo número de votos mas o Bloco de Esquerda e o CDS retiram eleitores à CDU e à coligação liderada pelo PSD e quem ganha é Luís de Sousa que é reconduzido na Câmara Municipal, passando a ter maioria absoluta, com quatro vereadores. Em Salvaterra de Magos, Hélder Esménio é rei e senhor. Quase que duplica o número de votos e tem uma forte maioria absoluta. Passa de 32% para 52,5% e tem agora direito a cinco mandatos. O BE queria mas só assegurou os mesmos dois eleitos. A CDU e a coligação do PSD e do CDS deixam de ter assento nas reuniões de Câmara. Em Benavente, a CDU escapa da razia nacional, embora perca um vereador. Porém, Carlos Coutinho mantém a maioria absoluta com 45,5% e quatro assentos camarários. É o PS que passa dos 19% para os 24,14% detendo agora dois mandatos. E, finalmente, aquela que é, talvez, a maior vitória na região: André Rijo foi reeleito presidente da Câmara Municipal de Arruda dos Vinhos conseguindo 71,3% dos votos, mais 20% que nas eleições de 2013. O PSD seguiu a tendência nacional e sofreu uma pesada derrota, perdendo dois mandatos e passa a ter apenas um eleito na Câmara. Dos 35% alcançados em 2013, passa para 19,3%. Eram eleições onde tudo podia acontecer. Poderia a vitória do PSD nas últimas eleições legislativas regressar e assombrar o PS? Poderiam os eleitores confirmar as críticas da oposição em várias autarquias e expulsar alguns “dinossauros” do poder? Poderia o estado de graça do PS beneficiar os socialistas? Independentemente das expetativas e dos resultados, os portugueses foram às urnas e decidiram. E foram escolhas claras. A democracia está viva em Portugal e é isso que mais importa.

Please follow and like us:

Faça o primeiro comentário a "O rescaldo da noite eleitoral"

Comentar

Gostaste do que leste? Assina, faz gosto e partilha